sexta-feira, 17 de março de 2017

Há 40 anos o Sporting rugia mais alto no principal palco do corta mato europeu

Aniceto Simões, Carlos Lopes, Fernando Mamede
e Carlos Cabral seguram a primeira TCE
que viajou para Portugal
Cumpre-se neste ano de 2017 o 40º aniversário da primeira vitória do Sporting na Taça dos Clubes Campeões Europeus de corta mato (no setor masculino). Primeira dos leões e de um clube português, há que sublinhá-lo. Feito ocorrido em Palência (Espanha), no dia 6 de fevereiro de 1977, altura em que quatro leões entraram para a história do atletismo nacional ao conquistarem um até então inédito troféu continental que desde a sua criação (em 1962) havia sido amplamente dominado por equipas belgas e inglesas, com uma ou outra intromissão de combinados alemães e espanhóis. De uma forma mais precisa há que recordar que a Taça dos Campeões Europeus (TCE) de Corta Mato até 1977 havia sido ganha pelos belgas do Liègeois (entre 1970 e 1974), do Saint Gillooise (1964), pelos ingleses do Portsmouth (1965 e 1966), do Derby County (1962 e 1963), do Staffs Stone (1967), pelos alemães do Darmstadt (1969) e pelos espanhóis do Palência (1975 e 1976). No plano individual, Phillipp Lutz, atleta oriundo da então República Federal da Alemanha, era aquele que mais vitórias havia conquistado nesta competição: três (uma ao serviço do Darmstadt e duas com as cores  do Liègeois).
Estatísticas à parte e voltando à efeméride que hoje fazemos eco aqui no Museu, recordamos que a TCE de 77 teve como caminhos a cidade espanhola de Palência, precisamente o berço da equipa que havia vencido as duas edições anteriores e que partia como grande favorita à conquista do tri. Porém, a concorrência falou mais alto, ou neste caso, rugiu mais alto, atendendo a que o Sporting - que participava pela primeira vez na competição - cortou a meta em primeiro. E fê-lo através de um dos maiores atletas portugueses de todos os tempos, por intermédio daquele que é provavelmente o Deus do atletismo luso, Carlos Lopes de seu nome. Juntamente com Fernando Mamede, Aniceto Simões e Carlos Cabral, ele deu vida a uma lendária equipa arquitetada por outro génio da modalidade: professor Mário Moniz Pereira. Equipa que chegou a Palência com 28 títulos de campeão nacional de corta mato no bolso (!) e com legítimas aspirações a trazer pela primeira vez para Portugal o pomposo título. Os leões cedo mostraram esse desejo ao controlarem a prova do princípio ao fim. Carlos Lopes chamou a si de pronto papel de protagonista da corrida, assumindo desde o tiro de partida a liderança, a qual não mais largou até cortar a meta em primeiro lugar. Os restantes atletas leoninos em prova, Fernando Mamede, Aniceto Simões e Carlos Cabral, terminaram a corrida respetivamente nos 6º, 8º e 26º lugares. Para Carlos Lopes este era o segundo título internacional de corta mato consecutivo, já que um ano antes ele havia vencido (com as cores de Portugal) o Campeonato do Mundo que se realizou em Chepstow (País de Gales).

Carlos Lopes
O triunfo do Sporting em Palência abriu portas para uma era gloriosa deste emblema na TCE de corta mato, já que até 1994 os leões conquistariam a prova em mais 13 ocasiões (!), facto que lhes permite liderar a lista de clubes que mais vezes subiram ao trono do corta mato continental, 14 no total (nos anos de 1977, 1979, 1981, 1982, 1983, 1984, 1985, 1986, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993 e 1994), seguido de longe pela equipa espanhola da Adidas (8), dos belgas do Liègeois e dos portugueses do Maratona (ambos com 6). 
No plano individual, Carlos Lopes ajudou o Sporting a conquistar metade - ou seja sete - das TCE de corta mato que o clube alberga no seu museu, sendo que em três delas (1977, 1982 e 1985) terminou a prova no primeiro lugar. Também Fernando Mamede esteve em sete dessas conquistas, terminando em 1º lugar por duas ocasiões (1981 e 1983). Já Aniceto Simões participou nas três primeiras conquistas europeias dos lisboetas, alcançando como melhor posição um 7º posto, ao passo que Carlos Cabral somente participou na célebre conquista de 77.
Para terminar, e continuando o rol de memórias estatísticas, há que referir que o atleta que mais ocasiões subiu ao 1º lugar do pódio nesta TCE de corta mato masculino foi Domingos Castro, em cinco ocasiões, sendo aliás o atleta mais titulado no plano individual desta competição que já leva 55 edições.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Telma Monteiro de bronze nas Olimpíadas do Rio de Janeiro 2016

São abertas hoje, a título de exceção, as portas do Museu Virtual do Desporto Português para evocar e posteriormente guardar nestas vitrines virtuais um novo feito do desporto português no palco do maior evento desportivo do planeta, vulgo os Jogos Olímpicos. Uma conquista alcançada nas Olimpíadas que decorrem no Rio de Janeiro, no dia 8 de agosto, um dia que será lembrado pela eternidade fora como o momento em que a melhor judoca portuguesa da história - pelo menos até ao instante em que são escritas estas linhas - arrecadou a medalha de bronze na categoria de -57kg após derrotar a romena Corina Caprioriu. Nascida em Lisboa, a 27 de dezembro de 1985, Telma Monteiro abraçou a prática de judo aos 14 anos, tendo, de lá para cá, construído um currículo verdadeiramente notável no seio da modalidade, onde se destacam, entre dezenas de competições nacionais e internacionais, as conquistas de cinco títulos euros (2006, 2007, 2009, 2012 e 2014), quatro vice-campeonatos do Mundo (2007, 2009, 2010 e 2014) e uma medalha de ouro nos Jogos Europeus de Baku (2015). A cereja no topo do bolo foi conquistada na Cidade Maravilhosa (Rio de Janeiro), onde a judoca participou nos seus quartos Jogos Olímpicos (os primeiros foram em Atenas, em 2004). Na corrida ao bronze, Telma começou por atirar ao tatami (tapete) a neozelandesa Darcina Manuel, seguindo-se a derrota com Dorjsuren, da Mongólia, facto que colocaria a portuguesa no caminho pela disputa da medalha de bronze. E o primeiro obstáculo na fase da repescagem foi a francesa Automne Pavia, que quatro anos antes, em Londres, havia conquistado precisamente o bronze olímpico. Mas diante de uma super Telma a judoca gaulesa não teve argumentos para defender a medalha e acabou por cair. No combate decisivo na luta pelo bronze, no combate mais importante da vida de Telma Monteiro, foi então a vez da romena Caprioriu tombar, tendo a atleta lusa pontuado com yuko nos instantes iniciais, defendendo-se com mestria dos ataques da adversária até ao fim, garantindo dessa forma a medalha mais importante da sua vasta e gloriosa carreira. Parabéns Telma.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Salto rumo a um novo bronze olímpico

O ano de 1936 é um bom exemplo de como os meios políticos procuraram - em determinados períodos da história da Humanidade - usar a popularidade dos grandes eventos desportivos para evidenciar ao Mundo as suas ideologias. Berlim acolheu nesse referido ano aquela que era já inequivocamente a maior manifestação desportiva do planeta, os Jogos Olímpicos. A Alemanha de então vivia sob o regime nazista comandado por Adolf Hitler. Vendo nos Jogos a ferramenta ideal para mostrar ao Mundo a superioridade da raça ariana o líder nazi não se pouparia a esforços para fazer destas as Olimpíadas mais espetaculares da história. Hitler montou então uma autêntica máquina de propaganda política através dos Jogos. Com um orçamento ilimitado não deixou ao acaso o mínimo detalhe que pudesse colocar em perigo a sua estratégia de assalto ao poder através do mega evento desportivo. Um estádio olímpico foi construído propositadamente, e aos atletas alemães tudo era dado e permitido para que se pudessem preparar conveniente para o evento e desta forma conquistar o máximo número de medalhas de ouro que traduzissem a superioridade da raça ariana. Bom, esta é uma curta descrição do cenário em que decorreram as Olimpíadas de 1936, que no final acabariam, na verdade, por provocar um terrível amargo de boca ao próprio Hitler - muito por culpa de um tal Jesse Owens - mas que aos portugueses deixaram doces lembranças. E são precisamente essas doces lembranças que servem de mote para a viagem ao passado que hoje iremos efetuar, uma viagem rumo à medalha de bronze conquistada pela nação lusa em Berlim. Feito alcançado por uma modalidade que na primeira década do século XX trouxe alegrias e prestígio a Portugal: o hipismo. Nunca será demais recordar que foi pela mão de três nobres cavaleiros (António Borges, Hélder de Souza e José Mouzinho) que em 1924 o nosso país arrecadou nos Jogos de Paris a primeira medalha olímpica da sua história, efeméride já aqui relatada com pompa e circunstância no Museu Virtual do Desporto Português. Doze anos depois da conquista do bronze olímpico na Cidade Luz eis que Portugal voltou a saltar com êxito rumo a uma nova medalha de bronze, desta feita por intermédio de José Beltrão, Luís Mena e Silva, e Domingos de Sousa Coutinho, três cavaleiros provenientes da mais fina flor do hipismo português daquele tempo que nos Jogos de Berlim subiram ao degrau mais baixo do pódio no Grande Prémio das Nações. Porém, a epopeia dos três oficiais do Exército não principiou da melhor forma. Na antecâmara da viagem para Berlim, Silvain, o cavalo do tenente Mena e Silva sofreu uma queda e ficou sem condições físicas de prosseguir a aventura olímpica, facto que desde logo colocou em risco a presença do cavaleiro nos Jogos. O também tenente José Beltrão, que haveria de ser a pedra fundamental na conquista do bronze olímpico, desenrascou em cima do embarque o seu companheiro de equipa, emprestando-lhe um dos seus dois cavalos, no caso o Fossette. Assunto resolvido. Estavam no entanto longe de ter um fim as dificuldades da equipa portuguesa nesta sua primeira aventura olímpica. As maiores complicações surgiram quiçá no dia da prova, do Grande Prémio das Nações, que juntou 18 equipas em busca das medalhas. Foi uma competição dura, difícil, com um traçado composto por 13 obstáculos de elevado grau de dificuldade, facto comprovado pela desistência de 11 equipas. Com raça, alma (enorme) e talento os portugueses aguentarem-se em pista, contornaram os obstáculos, acabando por chegar às medalhas com todo o mérito e justiça. Montando o seu Merle Blanc, o capitão Sousa Coutinho foi 16º, enquanto que Fossette e Mena e Silva ficou na 21ª posição. A performance de José Beltrão e do seu (cavalo) Biscuit - os últimos da equipa nacional a entrar na pista - haveria de ser decisiva na conquista da medalha. O sexto lugar por si alcançado somado aos resultados dos seus companheiros de equipa seria suficiente para que Portugal subisse ao pódio e receber a medalha de bronze, a terceira da sua história olímpica, e a segunda obtida por através do hipismo. Em termos de pontuação Portugal somou neste Grande Prémio das Nações 56 pontos, sendo apenas superado pela Alemanha (medalha de ouro) e pela Holanda (medalha de prata). Beltrão (que haveria de ter desfecho de vida trágico, já que a queda de um cavalo durante um treino no Hipódromo do Campo Grande, em 1948, tirou-lhe a vida) fez em Berlim uma prova quase perfeita, e não fossem os três obstáculos derrubados talvez o bronze tivesse sido transformado em ouro.  

Flashes Biográficos (1)... Dário Canas

DÁRIO CANAS (Tiro): Iniciamos hoje uma nova rubrica no Museu Virtual do Desporto Português, onde na qual, e de forma breve, se pretende traçar o registo biográfico dos nomes que fizeram - ou fazem - parte da história desportiva de Portugal. A partida é dada com uma figura do tiro, uma ilustre figura, melhor dizendo, não só pelo seu trajeto desportivo na modalidade como de igual modo pelo relevo alcançado nas áreas da política e do associativismo vida política e social. Dário Canas é o nome deste cidadão nascido em Lisboa na década de 80 do século XIX - mais concretamente a 29 de fevereiro de 1884 - que no início do século seguinte se viria a revelar como um dos mais virtuosos atiradores nacionais, talento que o iria levar em duas ocasiões ao palco principal do desporto global, o mesmo será dizer, os Jogos Olímpicos. Dário Canas é também um nome mítico de um dos emblemas mais antigos de Portugal, o Ginásio Clube Português (GCP), fundado em 1875. Clube eclético e dinâmico que em 1902 organizou uma das primeiras grandes competições de tiro no nosso país, a I Cruzada de Tiro Nacional, que viria a consagrar Canas como o primeiro civil a conquistar o diploma de atirador de 1ª classe. Empresário agrícola de profissão, Dário Canas viu-lhe ser reconhecida a sua mestria de exímio atirador no verão de 1920, altura em que integra a delegação portuguesa nos Jogos Olímpicos de Antuérpia. Juntamente com Hermínio Rebelo, António dos Santos, António Andréa Ferreira, António da Silva Martins e António Montez ele foi um dos atletas que compôs a equipa nacional de tiro que pela primeira vez levou a modalidade a uma Olimpíada. Facto que o fez entrar, uma vez mais, para a história do GCP, já que ao lado de Frederico Paredes, João Sasseti, Jorge Paiva e Henrique da Silveira (todos atletas de esgrima) levou pela primeira vez o nome deste clube aos Jogos. Na cidade dos diamantes, como é mundialmente conhecida Antuérpia, Canas participou em cinco disciplinas de tiro, nomeadamente na de Carabina 300 a 600 metros por equipas, onde obteve um 11º lugar num total de 14 nações participantes; na de Carabina 300 metros Deitado também por equipas, não indo além do 15º e último lugar da classificação final; na de Carabina 300 metros de Pé novamente em equipas em que foi 11º posicionado num total de 15 combinados; na disciplina de Carabina 600 metros Deitado por equipas onde não foi além de um 14º e último lugar na geral; e na prova coletiva de Revólver a 30 metros, em que se quedou pelo 8º e último lugar da classificação geral. Não foi, como os resultados indicam, uma prestação brilhante da equipa nacional, valendo, no entanto, o facto de ter competido com os melhores atiradores do planeta daquela época. Quatros anos volvidos a equipa nacional de tiro voltou aos Jogos, desta feita realizados em Paris, tendo Dário Canas integrado o leque de exímios atiradores portugueses. Na Cidade Luz participou apenas em duas provas, sendo que em uma delas atuou de forma individual, a sua única aparição olímpica na variante singular, em que alcançou o 61º posto na prova de arma livre. Na mesma disciplina mas na variante coletiva foi 17º num total de 18 equipas.
A sua ligação ao desporto, e ao tiro em particular, estendeu-se ao dirigismo associativo. Entre 1932 e 1937 foi membro do Comité Olímpico Português, tendo ainda desempenhado funções de presidente da Federação Nacional de Tiro e vice-presidente do GCP. Noutros campos o seu nome fica ligado à atividade agrícola, onde na qual foi um dedicado e vincado empresário, tendo em 1952 sido co-fundador da Cooperativa Agrícola dos Produtores de Leite, da qual foi presidente de Direção e da Assembleia Geral. Neste mesmo ano fundou ainda a Companhia Agrícola de Compra e Venda de Loures, município este onde na área política entre 1933 e 1949 desempenhou funções de presidente da Câmara Municipal. Ainda no plano político - outra área onde se destacou - foi membro da Assembleia da República na I e na II Lesgislatura (entre 1935 e 1942) tendo como área de intervenção a Educação Física e Desportos, ficando aqui célebre pelo facto de ter ajudado à reorganização da Educação Física no ensino secundário. Faleceu a 3 de junho de 1966.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

ENTREVISTA - José Garrido relembra o "dream team" do Sporting que conquistou para Portugal a primeira prova europeia de hóquei patins

José Garrido, com as cores do seu Sporting
Pode ir longe na estrada do tempo, mas jamais irá cair na berma do esquecimento, tal foi a sua importância não só para a história do hóquei em patins português, como do próprio desporto nacional. Falamos da épica caminhada da equipa do Sporting Clube de Portugal na edição de 1976/77 da então Taça dos Clubes Campeões Europeus - hoje denominada de Liga Europeia. Perdão, da equipa do Sporting não, do dream team (equipa de sonho) dos leões de Alvalade, daquela que nos dias de hoje é recordada como a equipa maravilha do hóquei patins... planetário! Não estaremos a exagerar, longe disso. Na realidade esta equipa transportou a modalidade para a dimensão do espetáculo, graças ao virtuosismo individual de jogadores como Sobrinho, Chana, Ramalhete, Júlio Rendeiro, ou o mestre dos mestres, António Livramento. Se de futebol estivéssemos a falar, diríamos que se tratou de uma equipa de galáticos, de autênticos magos do stick e dos patins. Além de interpretar o hóquei em patins com uma qualidade ímpar, aquela lendária equipa do Sporting conquistou um lugar na história por ter sido a primeira a trazer para solo português um troféu continental ao nível de clubes. Já lá vão 37 anos, mas não se esquece, jamais. E porque o Museu Virtual do Desporto Português tem por missão guardar para a eternidade os feitos - e os seus protagonistas - do desporto nacional, eis que recebemos hoje a visita de um ilustre membro da equipa maravilha do Sporting dessa inesquecível época de 76/77. José António Pereira Garrido, ou simplesmente, Garrido, fez, a nosso convite, uma viagem no tempo para recordar - ainda que em breves palavras - os dias de glórias vividos de leão ao peito, e muito em particular a caminhada triunfal na prova rainha do hóquei patinado europeu. O stick é seu Garrido. 

Museu Virtual do Desporto Português (MVDP): Como qualquer história também a do Garrido teve um início...
Garrido (G): ... Sim, a minha história começa quando eu tinha 9 anos de idade, altura em que na rua aprendi a equilibrar-me nos patins que o meu pai me tinha oferecido. Lembro-me que os usava presos a umas galochas (!). Como vivia em Benfica (nota: Garrido é natural de Lisboa, onde nasceu a 8 de janeiro de 1957) dirigi-me à secção de hóquei em patins do Clube Futebol Benfica, o popular Fófó, no sentido de ali, no clube do meu bairro, começar a praticar a modalidade um pouco mais a sério. Para minha grande desilusão fui recusado! Deram-me a justificação de pretenderem integrar miúdos com mais experiência...

MVDP: ... Mas não se deu por vencido logo à primeira...
G: ...Não. Aos 10 anos, acompanhado pelo meu pai, fui treinar ao Sporting, que era, e é, o meu clube. Fiquei, e comecei a treinar naquele mesmo dia. Recordo que o treinador era o Luís Barata, e após dois meses de treinos tornei-me jogador federado. Estive dois anos na equipa de iniciados, e depois de uma época como juvenil passei diretamente para a equipa de juniores. Em todos estes escalões ganhei títulos, quer distritais, quer nacionais. Aliás, foi enquanto atleta júnior que fui chamado à seleção nacional da categoria, tendo sido campeão europeu em dois anos seguidos, em 1975 e em 1976, sendo que o primeiro título foi alcançado em Darmstadt, na Alemanha. João de Brito era o selecionador nacional dessa altura. Um ano mais tarde voltei a ser campeão europeu, desta feita em Barcelos, com Luís Barata na qualidade de selecionador. Em 1977 subir a sénior, integrando aquela que já era a super equipa de hóquei patins daqueles anos.
A célebre equipa do Sporting que em 1977 conquistou de forma brilhante a Europa do hóquei em patins (Garrido é o primeiro jogador da fila de cima a contar da direita para a esquerda)
MVDP: Chegou ao patamar sénior precisamente na época em que o Sporting encantou o planeta do hóquei em patins com a conquista da Taça dos Campeões Europeus, a primeira eurotaça que viajou para Portugal, no que a hóquei patinado diz respeito. É caso para dizer que o Garrido não poderia ter tido melhor estreia no escalão sénior.
G: Sim, em 1977, no meu primeiro ano de sénior, integrei aquela super equipa que a nível nacional ganhou tudo o que havia para ganhar. Posso dizer que encontrei um ambiente fantástico naquele balneário. Tive o prazer de conviver com grandes hoquistas e sobretudo com grandes homens que me ajudaram a formar-me não só como jogador como também como ser humano. Como referiu na pergunta, este primeiro ano de sénior coincidiu com a conquista europeia, a primeira e única da minha carreira - ao nível de clubes - e sem dúvida o título mais saboroso que obtive. Recordo-me, em particular, da inesquecível chegada a Lisboa - no regresso de Espanha, após ter conquistado o título no rinque do Villanueva - onde uma multidão nos esperava.

O duelo na piscina do Voltregá
MVDP: Apesar de aquele Sporting ter uma equipa do outro mundo a caminhada para o título foi dura, como comprova a meia final diante do campeão da Europa em título, o Voltregá.
G: A primeira mão da meia final foi jogada em Espanha, ao ar livre, e à chuva! Nós propusemos jogar quando a chuva abrandasse ou então no dia seguinte, o que não foi aceite pela equipa da casa. A bola praticamente não rolava e nós ficavámos em zonas pontuais - do rinque - prevalecendo o passe.
Perdemos por 5-2. Em Lisboa vencemos por 8-3 diante de um pavilhão cheio. Na final jogámos a primeira mão em Lisboa, e recordo-me que não cabia um alfinete na Nave de Alvalade. Curiosamente, quatro horas antes do início do jogo toda a equipa foi lanchar a uma churrascaria que havia na zona do Campo Grande e o pavilhão já estava lotado! Vencemos por 6-0.
Em Espanha, na segunda mão, o Sporting fez-se acompanhar por muitos adeptos e voltámos a vencer, desta vez por 6-3, depois de entrarmos a perder por 0-2.
Nesse jogo, o Livramento, o Chana, e o Ramalhete fizeram um jogo brilhante, ao ponto de os próprios adeptos espanhóis nos aplaudirem de pé no final.

Garrido, na atualidade
MVDP: Por falar em António Livramento, o que recorda dessa lenda do hóquei em patins mundial?
G: Não existem palavras para descrever o António Livramento, o melhor jogador do Mundo de todos os tempos. Era acima de tudo um grande ser humano, e mesmo sabendo que era o melhor hoquista do planeta mantinha-se humilde, e sempre pronto para ajudar os colegas. Ainda em relação aquela grande equipa do Sporting não posso deixar de salientar dois outros grandes nomes do clube. O primeiro, o nosso treinador, o Torcato Ferreira, e o segundo um grande senhor, um grande presidente, o senhor João Rocha, que nos levou a alcançar todos esses feitos.

MDVP: Para terminar esta breve visita ao Museu Virtual do Desporto Português, continua ligado à modalidade?
G: Depois de sair do Sporting defendi as cores do Belenenses, Sesimbra, Sanjoanense, e o Campo de Ourique, onde dei por encerrada a minha carreira. Hoje, continuo a jogar ao nível de veteranos, só para matar saudades dos velhos tempos.

VÍDEO: VILlANUEVA - SPORTING (2ª mão da final da Taça dos Campeões Europeus de 1977)
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terça-feira, 8 de julho de 2014

Nicolau e Trindade, os mestres na arte de pedalar que deram vida à rivalidade entre Benfica e Sporting

José Maria Nicolau (Benfica)
e Alfredo Trindade (Sporting)
Nasceu dentro de um campo de futebol mas foi graças ao ciclismo que atingiu a gigantesca dimensão patenteada nos dias de hoje. Esta é uma visão sustentada por muitos historiadores desportivos lusitanos, para quem a eterna, intensa, e apaixonante rivalidade entre Benfica e Sporting viu a luz do dia graças às corridas de bicicletas travadas nos princípios da década de 30 do século passado, muito por culpa de duas das maiores figuras do ciclismo nacional, Alfredo Trindade e José Maria Nicolau. Ambos naturais do Cartaxo eles edificaram nas estradas - quase medievais - do Portugal de então duelos intensos e apaixonantes, duelos que chegariam ao patamar do misticismo do desporto nacional, duelos que levaram os nomes de Benfica e Sporting aos cantos mais escondidos do país. Eles foram os heróis de uma época em que as grandes festas desportivas - ou os grandes eventos - eram quase um exclusivo das grandes cidades - Lisboa, Porto, ou Coimbra - deixando as pequenas povoações - sobretudo as do interior - órfãs da emoção e entusiasmo que o fenómeno desportivo emana. E aqui há pois que fazer uma vénia ao ciclismo, a modalidade responsável por levar a festa do desporto, as emoções do desporto, aos recantos mais longínquos daquele Portugal de início de século. A chegada de uma corrida velocipédica a uma qualquer aldeia ou vila do interior dava quase aso a honras de feriado municipal! O ciclismo galvanizava o povo, que apinhava as bermas das estradas por onde a caravana serpenteasse, na ânsia de ver os heróis do pedal. Nicolau e Trindade foram durante anos as personagens principais desta onda de entusiasmo, foram eles os responsáveis pelo crescimento - em termos de adeptos - de Benfica e Sporting um pouco por todo o território nacional, e na opinião de muitos a popularização - como hoje a conhecemos - do dérbi eterno a eles se deve.

O baixinho e franzino Trindade
e o gigante e robusto Nicolau
Mais do que rivais, mais do que astros na arte de pedalar, eles eram sobretudo amigos, grandes amigos. Nasceram, como vimos, no mesmo concelho, o Cartaxo, no ano de 1908, separados apenas por nove meses de diferença. Apesar de mais velho que o seu conterrâneo, Trindade (que nasceu no dia 3 de janeiro) abraçou o ciclismo depois de Nicolau (que veio ao Mundo a 15 de outubro). José Maria Nicolau iniciou a sua aventura velocipédia em 1928 - curiosamente um ano depois da ocorrência da primeira edição da Volta a Portugal - no Carcavelinhos, ao passo que Trindade começou a correr em 1931 na pequena coletividade lisboeta do União do Rio de Janeiro (com sede no Bairro Alto). Apesar de terem semelhanças ao nível de berço, de Bilhete de Identidade, e de terem sido ambos talentos natos na arte de pedalar, Trindade e Nicolau eram a antítese um do outro em termos de estrutura física. O primeiro era baixinho, franzino, ao passo que o segundo era alto, robusto, uma força da natureza. Nada que os impedisse, cada um à sua maneira, de escrever algumas das páginas mais deslumbrantes da história do ciclismo nacional, sobretudo na prova rainha do calendário velocipédico português, a Volta a Portugal.

Uma das muitas batalhas épicas travadas
entre os dois ciclistas com
as camisolas dos emblemas da capital
O primeiro duelo mítico entre os dois lendários corredores aconteceu na segunda edição da Volta, em 1931. Na altura, Nicolau vestia já a camisola do Benfica, clube para o qual havia entrado dois anos antes, ao passo que Trindade - como já vimos - fazia a sua estreia na alta roda do ciclismo nacional com as cores do União do Rio de Janeiro. Eles seriam os protagonistas de um pelotão composto por 29 corredores que no dia 6 de setembro desse ano partiu desde a Cova da Piedade até Setúbal numa tirada de 40km, a qual seria ganha pelo ciclista do Benfica. Ao longo da prova a robustez física e coragem infindável de Nicolau travou acesos e épicos duelos com a frágil mas batalhadora figura de Trindade, discutindo taco a taco a vitória na Volta até à última etapa, que ligou as Caldas da Rainha ao Estoril. Ali, a nação benfiquista entrou em delírio, graças à vitória final de Nicolau (vencedor de sete etapas nesta edição), que assim vencia a primeira Volta a Portugal da sua nobre carreira, com uma vantagem de 29 segundos sobre o amigo e rival Trindade - que seria segundo posicionado - na classificação geral.

Rivais, mas amigos, tanto na estrada
como na vida
Um ano depois deu-se a desforra, Trindade venceu a Volta. Ainda com as cores do clube do Bairro Alto o pequeno, mas endiabrado, ciclista levou a melhor sobre o seu eterno rival por apenas três segundos de diferença. 56 ciclistas voltaram a partir da Cova da Piedade rumo a Setúbal numa primeira etapa onde logo se viu que a discussão pela vitória final iria ser entre Trindade e Nicolau. Ao longo das 19 etapas o duelo entre ambos animou uma corrida que pela primeira vez ultrapassou as fronteiras do território nacional, ao efetuar uma passagem por Vigo, onde Alfredo Trindade conquistava uma das suas quatro vitórias de etapa alcançadas ao longo da Volta de 32. José Maria Nicolau ainda vestiu da amarelo até à sétima etapa, vindo a perder - até final - a camisola mais desejada da corrida para Trindade na tirada número oito, que ligou Elvas a Castelo Branco. Rezam as crónicas que o triunfo final de Trindade se ficou a dever ao azar extremo de Nicolau. Uma queda do ciclista do Benfica na etapa número nove, que ligou Castelo Branco a Viseu, fê-lo perder terreno para o corredor do União do Rio de Janeiro, que concluiu essa tirada com 17 minutos de vantagem sobre o seu conterrâneo. Porém, a garra e determinação de Nicolau viriam ao de cima nas etapas seguintes, tendo o corredor recuperado algum tempo no decorrer da prova, fruto de algumas vitórias em etapas (conquistou 11 triunfos nas 19 etapas da Volta de 32). Porém, e como diz o velho ditado, um azar nunca vem só, e na etapa final (que ligou o Bombarral a Lisboa), com a Volta ao rubro no que toca à incógnita quanto ao seu vencedor, uma nova queda de José Maria Nicolau desfez as dúvidas quanto ao campeão, e mesmo ganhando essa derradeira etapa o corredor do Benfica não conseguiu anular os três segundos de desvantagem em relação a Alfredo Trindade, que assim vencia a primeira Volta a Portugal da sua carreira.

Nicolau e Trindade posam
para a fotografia junto de uma
das grandes divas do cinema
lusitano: Beatriz Costa
Já com a camisola do Sporting como manto sagrado Alfredo Trindade tornou-se - no ano seguinte - no primeiro ciclista a bisar naquela que era já a prova rainha do ciclismo português. A Volta de 1933 foi talvez aquela em que a luta acérrima entre os dois ciclistas menos se fez notar, já que logo na segunda etapa - que ligou Lisboa a Santarém - Nicolau adoeceu e foi forçado a desistir, estendendo desta forma a passadeira ao pequeno corredor do Sporting (vencedor de oito etapas nesta edição), o qual iria terminar a prova no primeiro posto com uma vantagem abismal de 44 minutos (!) sobre o segundo colocado, o seu companheiro de equipa Ezequiel Lino.
Na Volta do ano seguinte os papéis inverteram-se, ou seja, o azar bateu à porta de Trindade, forçado a abandonar a corrida na terceira etapa (Faro-Évora) após uma aparatosa queda que o iria levar ao hospital. Sem adversários capazes de travar a sua genialidade, Nicolau ficou à vontade para conquistar a sua segunda Volta a Portugal, terminando a última etapa com uma vantagem de 18 minutos na classificação geral sobre o sportinguista Ezequiel Lino.
Este seria o derradeiro capítulo da mítica dupla no seio da Volta a Portugal, embora na edição de 1935 tivessem ambos integrado o pelotão na partida da Cova da Piedade, acabando os dois por desistir no decorrer da prova. Contudo, a empolgante fábula de Trindade e Nicolau não se resumiu à prova rainha do ciclismo luso, muito pelo contrário. Clássicas como Porto-Lisboa, Porto-Vigo, ou Lisboa-Coimbra, testemunharam emocionantes capítulos da génese do fervoroso dérbi Benfica-Sporting.
Abandonaram ambos as lides do ciclismo - enquanto praticantes - no final da década de 30, tendo ambos enverdado posteriormente pela carreira de treinadores. Facto curioso é que o leão Trindade era o treinador do Benfica quando o maior mito da história do clube - no que concerne a ciclismo - faleceu na sequência de um acidente de viação, em agosto de 1969. Oito anos mais tarde foi a vez de Trindade pedalar rumo à eternidade, onde por certo continua a travar apaixonantes duelos com o seu amigo Nicolau.

Vídeo: EXCERTO DO DOCUMENTÁRIO: 
ALFREDO TRINDADE VS JOSÉ MARIA NICOLAU
video

quarta-feira, 26 de março de 2014

A(s) dinastia(s) lusa(s) no reino do hóquei em patins internacional

Portugal e o hóquei em patins, uma relação de amor profundo iniciada há mais de um século - como aliás já demos conta numa anterior visita ao Museu Virtual do Desporto Português - que ao longo do tempo conheceu largas dezenas de capítulos de felicidade extrema, sobretudo quando se fala em competições ao nível de seleções nacionais, onde os lusos dividem com a Espanha o trono do hóquei patinado a nível internacional - no que a títulos diz respeito. Porém, no que concerne às competições clubísticas Portugal vive um pouco na sombra dos eternos inimigos do lado de lá da fronteira, ao ostentar um currículo um pouco menos volumoso, por assim dizer, que os castelhanos, sobretudo na prova rainha do hóquei em patins continental, isto é, a Liga Europeia, outrora denominada de Taça dos Clubes Campeões Europeus. É pois sobre as coroas de glória do hóquei patinado português alcançadas além fronteiras que o nosso museu abre hoje as suas portas, para recordar as sticadas certeiras de lendas como Vítor Hugo, Carlos Realista, Paulo Alves, Pedro Alves, Chana, Vítor Fortunato, ou daquele que é considerado como o maior hoquista de todos os tempos - a nível mundial - e que para orgulho da nação lusitana é nosso, de seu nome António Livramento.

Liga Europeia/Taça dos Campeões Europeus: uma mão cheia de títulos num imenso mar espanhol

Iniciando esta nossa visita ao passado pela prova rainha da CERH - Comité Europeén de Rink Hockey -, o organismo que tutela o hóquei patins a nível europeu, competição essa que hoje em dia é conhecida como Liga Europeia, mas que aquando do seu nascimento, na temporada de 1965/66, foi batizada de Taça dos Clubes Campeões Europeus - à semelhança do que acontecia no futebol - onde facilmente se poderá constatar o avassalador domínio exercido pelos emblemas espanhóis, domínio esse expresso em 42 títulos conquistados - pelo menos até à data em que escrevemos estas linhas - contra apenas cinco triunfos portugueses, e um italiano.
Réus (com seis títulos), Voltregà (com três), e Barcelona (com dois) chamaram a si o domínio da primeira década de vida da Taça dos Campeões Europeus (TCE), sendo que seria preciso esperar quase até ao final dos anos 70 para ver finalmente o troféu viajar para as vitrinas de um clube português.

Equipa do Sporting que conquistou a TCE de 1977
SPORTING 1976/77: Tal feito seria alcançado por aquele que muitos consideram o dream team (equipa de sonho) do hóquei patinado internacional ao nível de clubes, como a equipa mais virtuosa de todos os tempos com o stick na mão: o Sporting Clube de Portugal. Os leões dominavam a seu bel prazer, e sobretudo com uma enorme classe, o panorama interno da modalidade, sendo que entre 1974 e 1978 os lisboetas arrecadaram quatro títulos de campeão nacional consecutivos, aos quais juntaram ainda mais duas Taças de Portugal. Performance alcançada graças a um naipe de hoquistas talentosos, casos do guarda-redes António Ramalhete, João Sobrinho, Vítor Carvalho (conhecido no planeta do hóquei como Chana), Júlio Rendeiro, ou de um tal de António Livramento, que hoje é considerado de forma - quase - unânime como o maior jogador mundial de todos os tempos.
O primeiro obstáculo leonino na memorável caminhada europeia era oriundo de uma terra com fortes tradições no hóquei em patins: Montreux, cidade suíça onde a modalidade é vivida de uma forma muito especial. A história do duelo entre o Montreux HC e o Sporting resume-se aos golos, aos muitos remates certeiros com que os leões despacharam a turma helvética. Na primeira mão, em Lisboa, o marcador indicou um esclarecedor 18-1 a favor dos portugueses, enquanto que na segunda o score foi um pouco menos pesado: 11-3 para os verde-e-brancos.
Seguiram-se as meias-finais, onde o Sporting encontrou nada mais nada menos do que o bi-campeão europeu em título, o Voltregà, poderosa equipa espanhola.A primeira mão foi disputada em Espanha... numa piscina! Passamos a explicar. O rinque dos espanhóis era descoberto, sendo que no dia do duelo um autêntico dilúvio se abateu sobre a pista, dificultando assim ao máximo a vida dos jogadores, principalmente os sportinguistas, pouco habituados ao hóquei disputado ao ar livre debaixo de um temporal. Consequência - ou não - dessa inexperiência foi o resultado de 5-2 a favor do Voltregà. No jogo de volta o Sporting puxaria dos seus galões, dando uma verdadeira aula de bem jogar hóquei em patins aos campeões europeus em título. Resultado desse memorável recital de hóquei foi uma vitória portuguesa por 8-3, com um score total - nas duas mãos - de 10-8 e a merecida passagem à final.
Encontro decisivo onde o adversário seria de novo espanhol, desta feita o Villanueva, conjunto onde pontificava o mítico guarda-redes internacional do país vizinho Carlos Trullols. A primeira mão da final teve lugar em Lisboa, diante um pavilhão repleto de leões, que de garras afiadas empurraram a sua equipa para mais uma exibição lendária. 6-0, resultado final a favor dos portugueses, e o título estava praticamente assegurado. No final, em jeito de desabafo o célebre portero Trullos disse: «sofri seis golos, e fiz uma das melhores exibições da minha vida». A 18 de junho de 1977 os leões entram na arena de Villanueva para agarrar de vez o primeiro título europeu para o hóquei patinado lusitano. Uma nova vitória - desta feita por 6-3 - deu aos lisboetas o seu primeiro título continental, um título que abriu as portas do êxito para outras equipas lusas nas décadas seguintes nas três provas organizadas pela CERH.

A equipa do FC Porto que em 1986 conquistou a primeira TCE do clube
FC PORTO 1985/86: A vitória do Sporting na TCE de 77 foi como que uma pedrada no charco face ao domínio espanhol na principal prova da CERH. Mas... foi sol de pouca dura. Nos oito anos que se seguiram a taça voltou a morar em Espanha, e de forma sistemática na casa do FC Barcelona, que ao conquistar o título europeu durante oito temporadas consecutivas estabeleceu um recorde no planeta do hóquei que perdura até aos dias de hoje. Foi pois preciso esperar até 1986 para voltar a ver uma equipa portuguesa voltar a envergar a coroa de rei da Europa. Ano este em que o FC Porto acabou com o reinado catalão, conquistado a primeira das suas duas TCE. Portistas que na temporada transata haviam sido derrotados pelo Barça na final da prova, pela diferença de... um só golo (9-10 no conjunto das duas mãos). FC Porto que na década de 80 vivia a melhor fase da sua história, no que a hóquei em patins dizia respeito. Sob o comando diretivo de Ilídio Pinto os azuis e brancos dominariam o hóquei luso com a conquistas de seis títulos de campeão nacional (em dez possíveis), e outras tantas Taças de Portugal. Na Europa haviam sido sticadas com êxito (em 1982 e 1983) duas edições da Taça das Taças, êxitos alcançados através de um hóquei sublime interpretado por astos como António Alves, Fanã, Vale, Vítor Hugo, ou Cristiano Pereira. último jogador este que a meio da gloriosa década decide pendurar os patins e assumir o comando técnico do clube onde se tornou num Deus do hóquei, rivalizando em popularidade com o sportinguista António Livramento. Em 1986 Cristiano edificou aquela que muitos classificam como a equipa mais poderosa que o clube armou com os patins e os sticks, um exército temido composto pelo mago Vítor Hugo, o capitão António Alves, Vítor Bruno, o lendário guarda-redes Franklim, o virtuoso Carlos Realista, ou a então jovem promessa Tó Neves. Na primeira eliminatória o FC Porto sticou para fora da prova os holandeses do Residentie, graças a uma vitória caseira por 10-6 na primeira mão, realizada na Cidade Invicta, e uma surpreendente derrota (!) por 4-5 na Holanda. Quiseram os caprichos do sorteio que nas meias-finais os portistas medissem forças com o eterno detentor do título, o poderoso Barcelona, carrasco dos Dragões na final de 1985, como já vimos. A primeira mão foi disputada no Palau Blaugrana, na Catalunha, onde os portistas fizeram uma partida memorável ao suster a sufocante avalanche que o Barça fez à baliza de Franklin durante todo o encontro. 5-5 foi o resultado final, um empate que soube a vitória.
O Pavilhão Dr. Américo de Sá acolheu a segunda mão. Completamente lotado o hoje desaparecido recinto presenciou mais uma exibição de gala da equipa da casa, expressa num inolvidável triunfo por 6-4, que garantia assim o passaporte para a final continental.
Rei morto, rei posto, o Barcelona terminava ali o seu reinado, passando a coroa ao FC Porto, que na final voltou a não dar hipóteses aos seus opositores, neste caso os italianos do Novara. Uma equipa fortíssima, onde pontificavam inúmeros internacionais transalpinos, como por exemplo o guarda-redes Piemontesi, Bernardini, Del Lago, ou Massimo Mariotti. O primeiro duelo da final foi disputado no Porto, e equipa da casa apoiada frenéticamente pela sua massa adepta venceu por 5-3, uma margem mínima, é certo, mas que começava a desenhar no horizonte a concretização do velho sonho de conquistar a Europa do hóquei. O presidente do clube, Jorge Nuno Pinto da Costa, apercebendo-se quiçá da proximidade que o seu emblema se encontrava da História fez questão de viajar com a equipa para Itália. Ali - na pista do Novara - testemunhou in loco o ambiente para lá de hostil com que o seu clube foi brindado pelos fanáticos adeptos transalpinos, que durante toda a partida não se pouparam em assobios e insultos aos jogadores portugueses. Seria preciso uma enorme garra, uma vontade férrea para ultrapassar aquele obstáculo e alcançar o paraíso. E o FC Porto conseguiu fazê-lo. Porém, ao intervalo a taça estava mais inclinada para ficar em Itália do que em viajar para Portugal, já que o Novara cilindrava os lusos por 5-1. Reza a lenda que Pinto da Costa terá descido ao balneário para dizer aos seus atletas que não havia feito aquela viagem para ver o Novara sagrar-se campeão da Europa diante do seu público... As palavras - ou puxão de orelhas? - presidenciais serviram de incentivo para que na segunda parte o FC Porto arrancasse para uma exibição memorável, e fazendo ouvidos moucos aos assobios e insultos que continuavam a cair no rinque de Novara, os portistas acabariam por dar a volta ao marcador e vencer por 7-5, e desta forma erguer o caneco de reis da Europa do hóquei, ao mesmo tempo em que os italianos em fúria arremessavam vários objetos para a pista em direção aos novos campeões europeus.
FC Porto bi-campeão europeu em 1990
FC PORTO 1989/90: O hóquei em patins português vivia uma fase dourada no que à presença no jogo decisivo da TCE dizia respeito. Depois da conquista de 86 os portistas voltaram a marcar presença na final na época seguinte, caindo aos pés dos galegos do Liceo da Coruña. Em 1989 o Sporting foi batido pelo Noia, e um ano mais tarde o Porto estava de regresso à final. No plano interno os nortenhos repartiam o domínio com os rivais da capital - Benfica e Sporting - e com o caloiro Óquei de Barcelos, que com o passar dos anos haveria de se tornar num dos mestres do hóquei luso. Na caminhada europeia de 89/90 a primeira vítima dos portistas foi o Walsum, da Alemanha, que não teve armas, ou melhor, sticks, para contornar a mais do que evidente superioridade dos portugueses, conforme podem comprovar as duas inquestionáveis vitórias (4-1 e 6-0). Nas meias-finais o grau de dificuldade aumentou ligeiramente, até porque o adversário era de Espanha - a eterna inimiga do hóquei português - e dava pelo nome de Igualada. Porém, as estrelas de Vítor Hugo e companhia continuavam a reluzir de forma vincada nos ceús do hóquei mundial, e com muita classe o FC Porto cilindrou os castelhanos com dois triunfos (8-4 e 4-2), alcançando desta forma a quarta final da TCE da sua história. Jogo decisivo onde iria encontrar o campeão em título, o Noia, que à semelhança dos conterrâneos do Igualada não teve argumentos para bater Vítor Hugo, Realista, Vítor Bruno, Tó Neves, e Franklin, um "cinco de ouro" que com dois triunfos (6-0 e 5-2) trouxe para a Invicta o segundo caneco europeu mais desejado. 
Plantel do Óquei de Barcelos que em 1991 entrou para
a notável galeria dos campeões europeus
ÓQUEI DE BARCELOS 1990/91: Em meados da década de oitenta começa a despontar no mapa nacional - e posteriormente internacional - do hóquei em patins uma pitoresca vila minhota. Barcelos, assim se chama. Terra cujo amor pelo jogo do stick é ardente e intenso. Sem qualquer título nacional no seu currículo até então o Óquei de Barcelos surpreendeu a Europa em 90/91 ao arrecadar a prova rainha da CERS na sequência de um trajeto imaculado, onde se recorda não só a épica final ante o Roller Monza mas também a eliminatória com o campeão em título, o FC Porto. O primeiro obstáculo dos galos na caminhada vitoriosa veio da Alemanha, e dava pelo nome de Walsum, combinado frágil como comprova o score - no total das duas mãos - de 29-6 com que a esta pré-eliminatória foi fechada. Seguiu-se então o duelo lusitano, uma final antecipada, entre portistas e barcelenses, com a primeira mão a ser jogada no rinque do Barcelos, tendo terminado com uma igualdade a quatro golos. Pensava-se que face à sua maior experiência neste tipo de eventos os campeões da Europa em título iriam resolver a questão no seu pavilhão diante do seu público na semana seguinte, mas... nem sempre a teoria se confirma na prática. Cristiano Pereira era o treinador dos minhotos, e acima de tudo um profundo conhecedor da filosofia dos portistas, afinal ele havia sido não só o melhor jogador da história dos azuis-e-brancos como também o arquiteto dos dois títulos europeus que o FC Porto havia conquistado num passado recente. Tudo somado, Cristiano tinha o antídoto para deixar por terra os detentores do troféu. E assim foi. 5-4, resultado final do encontro da segunda mão a favor dos barcelenses, que assim exultavam de alegria face à possibilidade de conquistar um título que estava muito, mas muito perto. Até porque o adversário das meias-finais vinha de um país (França) que se encontrava - e encontra - vários degraus abaixo dos mestres lusitanos na arte de manusear o stick, e como tal não iria oferecer grande resistência aos guerreiros minhotos. Na verdade o jogo ante os campeões franceses, o La Roche, não foi mais do que um treino. A eliminatória ficou desde logo resolvida em terras gaulesas, onde o Óquei de Barcelos venceu por expressivos 22-3. No Minho o caudal ofensivo barcelense voltou a sufocar os inofensivos franceses, que da bela localidade situada a norte de Portugal levaram mais uma cesta cheia de golos: 22, novamente, sendo que desta feita não marcaram nem um! A final era pois realidade, mas para deitar as mãos no caneco era preciso superar um duro teste chamado Roller Monza, o perigoso campeão italiano que nos quartos-de final havia deixado pelo caminho os gigantes galegos do Liceo da Corunha.
Ditou o sorteio que o primeiro jogo da decisão seria jogado em Barcelos, cujo pavilhão foi pequeno demais para visionar uma partida emotiva e equilibrada como se pode ver pela igualdade final de quatro golos. Cenário idêntico seria vivido na segunda mão, em Itália, onde nenhuma das equipas desarmou na luta pelo título, tendo-se atingido o fim do tempo regulamentar com um empate a três golos. Surgiu então a necessidade de se jogar um prolongamento, e ai apareceu em jogo artista de 17 anos, de seu nome Pedro Alves, que com o passar dos anos viria a tornar-se numa lenda do hóquei patinado lusitano. No prolongamento de Monza, Pedro Alves aproveita uma bola perdida no meio campo adversário, dribla um, dois jogadores contrários e só com o guarda-redes pela frente faz a diagonal e stica a bola para o fundo das redes, desenhando assim o golo do título, o golo mais saboroso - por certo - da história de um Óquei de Barcelos que na década seguinte iria vencer ainda dois títulos de campeão nacional e outras tantas taças de Portugal. Para a imortalidade ficava não só o nome de Pedro Alves mas também de Guilherme Silva (guarda-redes), Paulo Alves, Vítor Silva, ou Domingos Carvalho.
Quanto a reinados portugueses na maior competição de clubes da CERH seguiu-se uma longa travessia no deserto de 22 anos (!), mais de duas décadas onde o hóquei espanhol voltou a ditar leis - domínio interrompido apenas por um ano graças à vitória dos italianos do Follonica, em 2006 - de nada valendo as constantes ameaças do FC Porto, que por seis ocasiões falhou o assalto final - isto é, perdeu as finais - ao troféu mais desejado a nível continental.
Benfica faz a festa do título em casa do... eterno inimigo FC Porto!
BENFICA 2012/13: Em 1996/97 a CERH resolve reformular a sua principal competição. E à semelhança do que acontecia com outras modalidades - com o futebol à cabeça - resolve criar uma Liga Europeia, uma competição que agrega em si as melhores equipas continentais, sejam elas campeãs, ou não, dos seus respetivos países. E tal como futebol a maior prova de hóquei patins europeu passou a ter 3 e 4 equipas oriundas de Portugal, Espanha, e Itália, no fundo as grandes potências mundiais da modalidade, angariando desta forma níveis elevados de competitividade e espetáculo. Foram pois diversas as alterações introduzidas pela CERS ao figurino da prova. Entre outras, foram abolidas as eliminatórias, sendo que numa primeira etapa as equipas disputavam uma fase de grupos, cujos primeiros classificados avançariam para uma final four a realizar numa única cidade. Em 2012/13 a cidade do Porto foi escolhida pela CERS para acolher a final four da atual Liga Europeia, e muitos pensavam que esta era uma excelente oportunidade para o FC Porto alcançar o tão perseguido tri, não só porque atuava diante do seu público mas porque a antiga lenda do clube Tó Neves - agora no papel de treinador - havia montado uma equipa do outro Mundo, onde pontificavam lendas como Reinaldo Ventura, Edo Bosch, Ricardo Barreiros, Caio Oliveira, ou a jovem promessa Hélder Nunes. Perante tal cenário nem o mais pessimista dos portistas poderia imaginar que o maior rival do clube, neste caso o Benfica, poderia estragar a festa, mas o que é certo... é que estragou mesmo. Na quase cinquentenária história da competição apenas por uma mão cheia de ocasiões os benfiquistas haviam chegado à final, sendo que em termos de currículo europeu os lisboetas não tinham até então nas suas vitrinas mais do que um par de taças CERS.
Treinado por Luís Sénica o Benfica seria colocado no Grupo C na primeira fase da prova, juntamente com os espanhóis do Réus, dos italianos do Viareggio, e dos alemães do Cronenberg. Sem grandes dificuldades o emblema luso venceu a chave, com um total de 13 pontos, consequentes de quatro vitórias, um empate, e apenas uma derrota (em casa do Réus).
Nos quartos-de-final o Benfica voltaria a Espanha, desta feita para defrontar o Noia, tendo ali empatado a três golos o encontro da primeira mão. Em Lisboa um autêntico vendaval - de golos - varreu com o clube espanhol da Liga Europeia. 7-0 foi o resultado que colocou os benfiquistas na final four do Dragão Caixa (recinto do FC Porto). Quis o destino que nas meias-finais da citada final four o Benfica enfrentasse o colosso Barcelona, que a par do FC Porto chamava a si o favoritismo para vencer a prova. Ao fim dos 50 minutos, o jogo terminou empatado a quatro bolas e assim se manteve no prolongamento.
Na lotaria das grandes penalidades o Benfica marcou por duas vezes, por intermédio de Abalos e de Marc Coy, enquanto o Barcelona só marcou um, por Josep Ordeig, garantindo assim a festa encarnada.
Na grande final - realizada no dia seguinte - Benfica e FC Porto mediaram forças num ambiente fantástico... pintado em tons de azul-e-branco. Nada mais natural, já que os portistas jogavam em casa. Final essa que esteve para não se realizar, uma vez que os benfiquistas se queixavam de falta de segurança e dos poucos bilhetes disponibilizados aos seus adeptos, ameaçando por isso boicotar o jogo! Através do diálogo - pacífico - o boicote foi eclipsado e o Benfica entrou mesmo em rinque para escrever a página mais brilhante da história do seu hóquei. Um golo de ouro de Diogo Rafael, ainda na primeira parte do prolongamento (no final do tempo regulamentar o resultado era de 5-5), acabou por entregar o título aos encarnados, naquela que foi também a primeira final da Liga Europeia entre equipas portuguesas. Com o triunfo de 6-5 o Benfica conquistava assim a quinta TCE/Liga Europeia para Portugal, e para a história ficavam nomes como Marc Coy, Carlos Lopez, Diogo Rafael, ou Luís Viana, os novos heróis do hóquei lusitano. 
Benfica sagrou-se bi-campeão europeu em casa
BENFICA 15/16: Três anos depois de ter silenciado o Dragão Caixa (no Porto) ao arrecadar diante da equipa da casa o troféu mais importante do hóquei patinado continental, eis que o Benfica repete o feito, agora em casa, ante do seu público, e à custa dos conterrâneos da Oliveirense, equipas que a par dos encarnados discutiu a final four da prova junto com o Barcelona e o Forte dei Marmi. Para voltar a colocar as mãos na taça os benfiquistas efetuaram uma caminhada imaculada, onde apenas por uma ocasião foram derrotados, facto ocorrido ainda na fase de grupos desta edição da Liga Europeia, em casa do Vic (7-6). Tirando esta mancha no currículo, o Benfica contabilizou por vitórias todos os restantes jogos disputados no Grupo B, que integrava ainda o Bassano Hockey (Itália) e o Mérignac (França). Nos quartos-de-final os pupilos de Pedro Nunes mediram forças com os espanhóis do Vendrell, sendo que na primeira mão os portugueses confirmaram o seu favoritismo ao vencer por 5-3, com golos de Jordi Adroher, Carlos Nicolia (2), Marc Torra e João Rodrigues. Na volta, em Lisboa, os lusos atuaram mais descontraídos, e talvez por isso não tenham ido além de um empate a cinco golos, onde Marc Torra se destacou ao marcar três golos. Ainda assim o resultado era mais do que suficiente para o Benfica atingir mais uma final four da sua história. Fase decisiva que teve então lugar na capital do nosso país, na casa dos benfiquistas mais concretamente, que desta forma garantiam um importante reforço extra (os seus adeptos) para tentar alcançar o segundo título de campeão europeu. E assim foi. Na meia final, ante o poderoso Barcelona (o clube mais titulado na Europa do hóquei patinado) os encarnados tiveram a sorte do seu lado, atendendo ao facto que levaram a melhor na lotaria das grandes penalidades. O jogo, muito bem disputado, chegou ao seu final empatado a um golo (pelo Benfica marcou o inevitável Marc Torra), pelo que houve necessidade de um prolongamento - que nada resolveu - e de uma sessão de grandes penalidades. Aqui, o guarda-redes encarnado foi o herói, ao defender quatro dos cinco penaltis que o Barça dispôs. Do outro lado, o Benfica converteu duas grandes penalidades, selando o resultado final em 3-2 a seu favor, abrindo assim a porta da final, a qual iria ser 100 por cento portuguesa, já que no outro encontro a Oliveirense venceu o Forte dei Marmi também por 3-2. E diante de um repleto pavilhão na sua esmagadora maioria afeto aos lisboeta, o Benfica embalou para uma grande exibição, culminada com um histórico triunfo por 5-3, com golos Diogo Rafael (2), Carlos Nicolia (2) e Jordi Adroher, igualando assim o FC Porto enquanto equipa portuguesa com mais conquistas na prova rainha da CERH. Nota: texto atualizado em 16 de maio de 2016.

Taça das Taças: Portugal rei e senhor

Cerca de 10 anos depois de ter criado a TCE a CERH lança a Taça dos Vencedores das Taças, prova que à semelhança do futebol era destinada aos clubes que na época anterior tivessem vencido as taças dos respetivos países. E se na principal competição do organismo que tutela o hóquei em patins europeu o domínio é amplamente espanhol, na Taça das Taças os clubes portugueses ditam leis, ou melhor, ditaram leis, isto porque esta prova teve vida curta, não indo além de 20 edições. Duas dezenas de edições onde metade foi conquistada por emblemas lusos, sendo que o Oeiras e o Sporting são os mais vitoriosos, com três triunfos cada na sua conta pessoal. FC Porto (por duas ocasiões), Sanjoanense, e Óquei de Barcelos (com um título conquistado cada um deles) são os nomes dos restantes cavaleiros portugueses que inscreveram o seu nome na lista de campeões. As primeiras três edições do novo certame da CERS foram por inteiro dominadas por um pequeno emblema que no seu historial jamais venceu um campeonato nacional ou sequer uma Taça de Portugal!!!!
Equipa do Oeiras que inaugurou a lista de campeões
da Taça das Taças
OEIRAS 1976/77: Seria na qualidade de finalista vencido da Taça de Portugal da temporada de 1975/76 que a modesta Associação Desportiva de Oeiras foi o representante de Portugal na primeira edição da Taça das Taças (TdT). Estaria porém longe de imaginar esta pequena coletividade dos arredores de Lisboa que este seria o primeiro passo de uma trajetória histórica de três anos consecutivos. Já lá vamos. Em 1976/77 arranca então a TdT, sendo que em sorte calhou à equipa portuguesa na primeira eliminatória da nova competição os franceses do Gujan. Na primeira mão, realizada em solo português vitória lusitana por claros 18-5, margem mais do que confortável para na segunda mão efetuar um passeio até França, onde seria conquistada uma nova vitória, desta feita por 6-3. Seguiram-se as meias-finais, com o grau de dificuldade a aumentar, e onde apenas a sorte determinou a passagem do Oeiras à final. Passamos a explicar. Os italianos do Novara foram o adversário dos lusos nesta fase, sendo que a primeira mão deste confronto foi realizada em Portugal, a qual seria traduzida numa curta vitória do Oeiras por 5-4. Em Itália mandou a equipa da casa, a qual vencia o jogo no final do tempo regulamentar por igual resultado, ou seja 5-4. Assim sendo, houve a necessidade de se jogar um prolongamento onde nada se alterou, recorrendo-se posteriormente para o desempate através de grandes penalidades. Teimosamente o empate manteve-se, com ambas as equipas a não irem além de um 3-3 final no tiro ao boneco. Os árbitros não tiveram então outro remédio senão atirar a moeda ao ar (!) para apurar o vencedor da eliminatória, e eis que a sorte escolheu o Oeiras, que assim atingia a final. Patamar este onde iria medir forças com os espanhóis do Arenys de Munt, com o cenário da meia final a repetir-se. Ou seja, uma vitória (4-2) e uma derrota por igual resultado obrigaram a que no jogo da segunda mão, ocorrido em Portugal, se recorresse à marcação de grandes penalidades para se encontrar o campeão. A única diferença em reação ao confronto com o Novara foi que desta feita não foi preciso recorrer à moeda ao ar, já que o Oeiras foi mais eficaz nos penaltis ao vencer por 3-2 e assim coroar-se como o primeiro campeão da TdT. 
A equipa do Oeiras que esmagou o poderoso Voltregá
na primeira mão da final da TdT, e que assim garantia (praticamente)
a continuidade do troféu em solo português

OEIRAS 1977/78: Como campeão da TdT em título o Oeiras ganhou por direito próprio um bilhete para a segunda edição do certame. Iniciou esta nova caminhada - até à glória - no rinque dos belgas do Rolta com uma vitória por 4-2. A história do jogo de volta resume-se aos golos, aos muitos golos com que os lusitanos despacharam os amadores belgas: 12-3. E na meia-final o Oeiras fez um novo brilharete, não só porque eliminou um dos candidatos ao trono da TdT, os italianos do Follonica, mas sobretudo porque o fez com estilo... e estrondo. Depois de uma derrota por 1-3 na primeira mão, em solo transalpino, o Oeiras cilindrou no seu reduto os italianos por 12-1 no encontro de volta, garantindo desta forma uma nova e sensacional presença na final. Na partida mais desejada novo reencontro com os vizinhos espanhóis, desta feita com o Voltregà, poderoso conjunto que no seu currículo tinha três Taças dos Campeões Europeus! Mas mais uma vez o pequeno Oeiras foi gigante, e na primeira mão, em casa, colocou uma mão na TdT, ao vencer por 3-2 seu oponente. O encontro da segunda mão foi uma batalha, tendo os portugueses resistido heroicamente aos constantes ataques dos castelhanos à sua baliza. 3-3 foi o resultado final, um empate que soube a vitória, o suficiente para que a taça continuasse a morar nas vitrinas do popular Oeiras. 
Oeiras, tri-campeão da TdT, nunca mais nenhuma outra
equipa lusa conseguiu vencer em três anos
consecutivos uma competição europeia!

OEIRAS 1978/79: Fazendo jus ao velho ditado de que "não há duas sem três" o Oeiras partiu para a sua terceira aventura europeia na TdT com os olhos postos na reconquista do troféu. Porém, não teve vida fácil em comparação com as duas primeiras edições. Isto porque pelo caminho teve de se desviar de adversários bem complicados... Logo na primeira eliminatória quis o destino que pela primeira vez na história da jovem competição da CERH duas equipas portugueses medissem forças. Oeiras e Benfica (que participava na prova na qualidade de vencedor da Taça de Portugal da época anterior), discutiram um lugar na meia-final no desenrolar de uma eliminatória equilibrada como atesta a curta vitória do Oeiras no conjunto das duas mãos (7-6). Na antecâmara da final, isto é, a meia-final, novo confronto com uma squadra italiana, desta feita o Lodi, que na primeira mão empatou em casa a cinco golos com o combinado português. No encontro de volta o Oeiras puxou dos galões de grande equipa que era e bateu os italianos por 4-1, alcançando assim pela - impensável - terceira vez consecutiva a final. Ali, esperava o conjunto português um velho conhecido nestas andanças, o Voltregà, desejoso de vingar a final perdida na temporada anterior. Mas tal não se passou, já que a reconquista da TdT ficou praticamente selada em Oeiras no encontro da primeira mão, o qual seria vencido pelos lusos por concludentes 10-1. A viagem a Espanha foi pois encarada com descontração, como facilmente comprova a derrota por 3-6, um desaire que deu aso a uma explosão de alegria na comitiva portuguesa, que assim pela terceira vez consecutiva vencia o troféu. 
Este tri-vitória na TdT assumiu contornos de imortalidade na história do hóquei luso, pois até hoje mais nenhuma equipa do nosso país conseguiu vencer por três edições consecutivas um troféu continental. 
No patamar da imortalidade ficam pois os nomes de Salema, Carvalho, José Pereira, Carlos Alves, Vítor Rosado, Cristóvão, ou José Rosado, os craques que deram vida ao mágico Oeiras dos finais dos anos 70. 
Equipa do Sporting que conquistou a primeira
das TdT da histório da clube
SPORTING 1980/81: Após um interregno de um ano eis que o hóquei português voltava em 1981 a patinar no lugar mais alto do pódio da TdT. Fê-lo através do primeiro emblema luso a triunfar numa prova europeia, o Sporting Clube de Portugal, cujo plantel de 80/81 se viu reforçado com alguns dos heróis que conduziram o modesto Oeiras a três títulos consecutivos na segunda prova da CERH, nomeadamente Salema, Carvalho, e Vítor Rosado. Nomes que se juntavam a lendas leoninas como Chana, e João Sobrinho, que neste início dos anos 80 se viam privados da companhia do astro António Livramento, que entretanto havia colocado um ponto final na sua brilhante carreira e assumia agora o papel de treinador dos leões. Com um grupo renovado em relação ao brilharete alcançado na Taça dos Campeões Europeus de 77 o Sporting iniciou a campanha na TdT de 81 com uma goleada aos franceses do Fresnoy, que na primeira mão saíram da Nave de Alvalade vergados a uma pesada derrota de 26-1. Na segunda mão, e apenas para cumprir calendário, o Sporting foi a terras gaulesas confirmar a sua abismal superioridade com novo triunfo, desta feita por 10-4. 
Nas meias-finais a fasquia da dificuldade subiu ligeiramente, muito por culpa de uns combativos alemães, que davam pelo nome de Herten. No primeiro jogo os pupilos de Livramento venceram em Alvalade por 5-3, carimbando o passaporte para a grande final na Alemanha graças a um novo triunfo, desta feita por 6-1. No encontro mais aguardado da prova surgiu o primeiro grande teste, chamado Cibeles, forte combinado espanhol oriundo de Oviedo, localidade onde os portugueses no jogo da primeira mão perderam por 4-1. Uma derrota que se poderá - ou não - explicar no facto de o pensamento dos leões estar em Gonzaga da Silva, o dirigente leonino responsável pelo hóquei em patins que havia sido internado de urgência na sequência de uma pneumonia. Para a segunda mão pedia-se concentração, calma, e muita garra para dar a volta à situação, e foi o que aconteceu. Com o Pavilhão de Alvalade para lá de cheio - estavam 7000 pessoas num pavilhão que tinha capacidade para 5000 - o Sporting não começou nada bem um encontro onde precisava de vencer por mais de três golos para ficar com a taça, sendo que a meio do primeiro tempo perdiam por 1-2. Empurrados pelo seu público os leões afiaram as garras e ao intervalo venciam por 4-2. Não chegava, eram precisos mais golos. No segundo tempo o Cibeles fechou-se no seu quadrado, abdicando quase por completo do ataque, dificultando assim a vida a um Sporting que viu-se e desejou-se para acertar com a baliza. Fá-lo-ia apenas por uma ocasião, por intermédio da sua estrela, Chana, que na primeira parte tinha feito dois golos, igualando desta feita a eliminatória a seis golos. Seguiu-se um prolongamento, onde apareceu de novo a magia de Chana, que eclipsou por completo um conjunto espanhol apostado em chegar ao desempate por grandes penalidades. Chana faria o 6-2, e seria ainda o autor do passe para Salema fazer o 7-2 final, resultado que permitiria ao Sporting vencer a primeira das suas três TdT, o primeiro título de Livramento enquanto treinador, um título que fez explodir de alegria Alvalade nessa mítica noite de 27 de junho de 1981.
Ilídio Pinto (que na imagem é o segundo elemento da fila de cima
a contar da direita para a esquerda) conquista em 1982 o primeiro dos seus
52 títulos (nacionais e internacionais) com o FC Porto!
FC PORTO 1981/82: Conhecido entre os portistas como o senhor hóquei patins, Ilídio Pinto é o grande responsável pelo facto do emblema nortenho ser hoje um dos maiores símbolos do hóquei nacional e internacional. Pegou na secção de hóquei portista em 1973, e desenvolveu um trabalho notável, expresso - até aos dias de hoje - em mais de meia centena de títulos nacionais e internacionais. A primeira grande conquista aconteceu em 1982, precisamente a TdT, o primeiro título conquistado, na verdade, pelo hóquei portista, que até então nunca havia vencido qualquer competição, nacional ou internacional. Comandados pelo treinador Vladimiro Brandão os azuis-e-brancos começaram por ultrapassar com alguma facilidade os finalistas da temporada anterior, o Cibeles, de Espanha, com duas vitórias, uma por 9-3, e outra por 5-1. Na meia-final surgiram os alemães do Cronenberg, equipa chata, que sem arte nem engenho para jogar (bom) hóquei lá conseguiu bater os portistas por 2-1 na primeira mão. Tudo, porém, não passou de um susto, já que na segunda mão o Porto esmagou o seu opositor por claros 14-2, alcançando assim a final. Ai, encontrou o vencedor da temporada transata, o Sporting, grande favorito a revalidar o título. Mas do outro lado estava uma equipa composta por hoquistas de grande craveira, como Cristiano Pereira, Alves, ou os jovens Vítor Hugo, e Vítor Bruno. A primeira mão realizou-se na Cidade Invicta, e com o Pavilhão Dr. Américo de Sá cheio como um ovo, o FC Porto contrariou a teoria e goleou os sportinguistas por 13-4, sentenciando praticamente a final. Uma semana depois viajou até Lisboa, aliás, foi passear até à capital, pois com a folgada margem que levava na bagagem o encontro da segunda mão não mais foi do que um cumprimento de calendário, tendo esse encontro terminado com uma vitória (de honra) dos leões por 8-7. A norte soltaram-se foguetes, pela obtenção da primeira de muitas vitórias por parte dos azuis-e-brancos. 
FC Porto: bi-campeão da Taça das Taças
FC PORTO 1982/83: Na qualidade de titular do troféu o FC Porto partiu para a sua segunda aventura na competição da CERH. Na primeira ronda os portistas afastaram os suíços do Vevey, por 14-4 no conjunto das duas mãos. O primeiro grande obstáculo surgiu nas meias-finais, onde pela frente Cristiano e companhia tiveram o Liceo da Corunha, poderoso combinado galego que na primeira mão venceu por 5-4. Triunfo magro que seria anulado pelos discípulos de Ilídio Pinto no jogo de volta, conforme atesta o triunfo por 6-2. Quis o destino que na final os portistas voltassem a enfrentar uma equipa portuguesa, desta feita o Benfica. Foi na verdade um grande e emotivo duelo, apenas decidido na lotaria das grandes penalidades. Na primeira mão, no Porto, empate a duas bolas, sendo que na Luz aconteceu uma nova igualdade, desta feita a cinco golos. Neste segundo encontro - transmitido em direto pela RTP 2, coisa rara naquele tempo - o Benfica chegou a estar a vencer por 4-1 a meio da segunda parte, resultado que levou os seus adeptos à loucura, pensando estes que finalmente o clube iria conquistar a sua primeira coroa de glória internacional. Puro engano. Vítor Bruno, Vítor Hugo, Fanã, e Alves carregaram o FC Porto para um sprint final avassalador, chegando ao términus do tempo regulamentar empatados a cinco golos. No prolongamento foi o Benfica que esteve mais perto de voltar a marcar, fruto da sua clara aposta ofensiva, ao passo que os portistas tentavam surpreender no contra-ataque. Nada se alterou, e vieram as grandes penalidades, tendo aqui a sorte bafejado os nortenhos, que além de continuarem na posse do troféu levaram o Pavilhão da Luz às lágrimas. 


Leões seguram a sua
segunda Taça das Taças
SPORTING 1984/85: Depois dos espanhóis do Réus terem interrompido em 1983/84 o reinado lusitano na TdT, eis que na temporada seguinte o troféu volta para terras lusas por intermédio de um velho conhecido: o Sporting. A caminhada para a reconquista da prova começou de forma fácil, já que os franceses do La Roche nada conseguiram fazer para evitar uma goleada - no total das duas mãos - de 40-9! Treinados por Luíz Barata, o Sporting apresentava-se nesta nova caminhada europeia com muitas novidades em relação às recentes conquistas internacionais, com um grupo onde pontificavam agora nomes como Pedro Trindade, Campelo, Sérgio Nunes, ou Camané. Na meia-final apareceu o Liceo da Corunha, que perseguia desenfriadamente a sua primeira TdT. Sabendo disso, o Sporting acautelou-se, e na primeira mão, com uma grande exibição, segurou a avalanche galega, alcançando um triunfo por 8-5. Foi pois com três golos de vantagem que os leões viajaram até à Galiza, onde uma exibição serena bastou para controlar as fores investidas do Liceo, que não conseguiu mais do que um triunfo por 4-3, insuficiente para que o Sporting passasse à final. E na grande final os portugueses encontraram o conjunto surpresa desta edição da TdT, os alemães do Waslum, que na outra meia-final havia afastado os detentores do troféu, o Réus. Na primeira mão da final os leões viajaram até à Alemanha, testemunhando o porquê de o Réus ter caído aos pés dos desconhecidos alemães. 1-1, resultado final, que deixava tudo em aberto para o Pavilhão de Alvalade. Repleto de entusiastas do hóquei - e claro, do Sporting - este pavilhão foi palco de um grande jogo, onde o Walsum vendeu muito cara uma derrota por 8-4, valendo a soberba atuação do guarda-redes leonino Ramalhete, que impediu por diversas ocasiões que os germânicos silenciassem Alvalade. 
Uma equipa histórica: Sanjoanense, o surpreendente
vencedor da Taça das Taças de 1986
SANJOANENSE 1985/86: A par do Oeiras foi quiçá a grande surpresa da história da TdT. Falamos da Associação Desportiva Sanjoanense, equipa modesta do cenário do hóquei patinado luso que em 86 escreveu a página mais bela da sua história ao vencer contra todas as espectativas a segunda competição da CERH. A inesquecível caminhada rumo à glória começou com uma vitória sobre os alemães do Iserlohn, 11-5 em casa e 6-5 na Alemanha. Nas meias-finais os alvinegros esmagaram a equipa suíça do Genéve nos dois jogos realizados (17-1 e 14-9) e garantiram a sua presença na final da competição, juntamente com o Sporting.
No jogo da primeira mão, em Alvalade, a Sanjoanense não conseguiu mais do que um empate a três golos. Já em casa e depois de ter estado a perder por 5-0, os alvinegros inverteram o resultado acabando por vencer por 9-6. Licínio Santos foi um dos homens do jogo ao apontar quatro dos nove golos marcados. Orientada pelo técnico José Lisboa, a formação vencedora da TdT de 1986 alinhou no jogo final, frente ao Sporting, com o seguinte “cinco” inicial: Reis; Gentil, Lima, Licínio e Zeca. Começaram no banco de suplentes Rui Conceição, Miguel, Carlos Reis, Gil e Hélder. Nomes que hoje são autênticas lendas na história da bela localidade de S. João da Madeira.
A equipa do Sporting que conquistou
a sua última Taça das Taças
SPORTING 1990/91: Seria com um grupo bem diferente do lendário dream team edificado nos anos 70 que o leão iria rugir mais alto na cena internacional por uma última vez. Facto ocorrido no início da década de 90, quando figuras como João Pedro, Leste, Chambel, ou Zorro ajudariam a turma de Alvalade a arrecadar a terceira TdT do seu rico historial. A derradeira viagem rumo à glória europeia teve início na Holanda, onde os hoquistas comandados pelo técnico José Carlos venceram o Den Haag por 6-4, num encontro equilibrado e de hóquei de grande qualidade. Na segunda mão, em Lisboa, os leões provaram que as distâncias entre Portugal e Holanda - no que a hóquei patins diz respeito - ainda eram - e continuam a sê-lo - muito acentuadas, conforme expressa a tranquila vitória dos portugueses por 7-2. Nas meias-finais surgiu outro combinado que milita num patamar muito abaixo daquele em que está o hóquei lusitano, mais precisamente o Gazinet, de França. Em solo português desenrolou-se a primeira mão, num jogo onde os franceses apesar de terem dado uma excelente réplica não conseguiram evitar uma derrota por 6-4 diante de um Sporting a meio gás. Na semana seguinte os leões corrigiram esta postura branda e golearam o Gazinet no seu terreno por 6-1, garantindo assim a sua quinta final na TdT. Aqui o adversário seria de peso, e dava pelo nome de Novara, forte conjunto transalpino. Tal como seria de prever os leões encontrarm sérias dificuldades no encontro da primeira mão, ocorrido em Itália, desde logo o fanático público afeto ao conjunto da casa. Sexto jogador que deu um forte contributo para que o Novara chegasse ao intervalo a vencer por 6-4. Só um grande Sporting poderia dar a volta à situação, e assim foi. Contra tudo e contra todos os lisboetas patinaram para uma grande exibição, alcançando mais três golos no segundo tempo, o que se traduziu num triunfo importante por 7-6. Mas nada estava ainda ganho, faltava o segundo jogo na Nave de Alvalade. Repleto de público, uma imagem usual nas grandes noites europeias de hóquei, o pavilhão leonino viu o Sporting assumir as rédeas do encontro, ao passo que o Novara apenas explorava as situações de contra-ataque. Seria nesta toada que ao intervalo o marcador indicava uma igualdade a dois golos. E à semelhança do que havia ocorrido em Itália o Sporting fez uma segunda parte brilhante, e com um (guarda-redes) António Chambel fabuloso não deixou os italianos marcar um único golo, e juntando a isso uma exibição gigantesca de Campelo o Sporting voltou a marcar três golos e venceu a final por 5-2, e para as suas recheadas vitrinas levou mais um troféu, o seu último troféu internacional.
Óquei de Barcelos, a última equipa portuguesa a festejar
a conquista de uma Taça das Taças
ÓQUEI DE BARCELOS 1992/93: Em meados dos anos 90 ganhava cada vez mais contornos a ideia da criação de uma grande competição de hóquei patins a nível internacional, uma competição que pudesse agregar em si as melhores equipas das grandes potências da modalidade, isto é, uma Liga Europeia, o que viria a acontecer num futuro muito próximo. A TdT estava pois em declínio, e o seu fim era iminente. 1993 foi pois o último ano de glória para o hóquei patins luso no seio desta competição, ano este em que a equipa da moda - daquela altura - venceu a sua terceira competição internacional. Falamos do Óquei de Barcelos, emblema minhoto que se fez grande na década de 90 com uma série de conquistas. Depois da vitória surpreendente na Taça dos Campeões Europeus de 1991 e na Taça Intercontinental de 92, os barcelenses arrecadaram a TdT em 93, na sequência de uma caminha imaculada de seis vitórias alcançadas noutros tantos jogos disputados. Na primeira eliminatória Paulo Alves, Guilherme Silva, Pedro Alves, e companhia despacharam com categoria os favoritos do Voltregà com um total de 15-3, sendo de sublinhar a goleada que os espanhóis sofreram em Barcelos na primeira mão: 10-2! O caminho para a glória ficava assim mais fácil, até porque nas meias-finais os alemães do Cronenberg não ofereceram grande resistência, conforme explicam as duas folgadas vitórias obtidas pelos barcelenses, 10-2 em solo luso, e 9-2 em terras germânicas. E se a meia-final não foi complicada, a final foi um autêntico passeio para os minhotos, visto que pela frente tinham o frágil e desconhecido conjunto helvético do Thunerstern. A TdT ficou praticamente entregue após o encontro da primeira mão, ocorrido na Suíça, de onde o Óquei de Barcelos saiu com um expressivo triunfo por 8-0. Só uma catástrofe impediria os minhotos de escreverem a mais uma brilhante página na sua história, e na segunda mão, jogando diante do seu entusiasta público, o Óquei atuou descomprimido, o suficiente para obter novo triunfo, desta feita por 6-3, e assim inscrever o seu nome na lista de campeões de uma competição que chegaria ao fim em 1996.
1993 seria mesmo um ano dourado para o Óquei de Barcelos, que para além desta TdT venceria ainda o campeonato nacional, a Taça de Portugal, e a Supertaça de Portugal. Notável.

Taça CERS: Portugueses repartem domínio com os eternos inimigos de Itália e de Espanha

Em 1980 a CERH lança a sua terceira competição ao nível de clubes, a Taça CERS, o equivalente à Taça UEFA no futebol. Até hoje - 2014 - foram realizadas 33 edições, tendo a prova sido ganha por 26 conjuntos diferentes, um claro sinal do equilíbrio que se tem verificado ao longo da história. Em termos de palmarés Portugal luta neste momento taco a taco com os seus eternos inimigos no planeta do hóquei em patins, Itália e Espanha no que a número de conquistas diz respeito, sendo que as equipas portugueses somam nove triunfos, contra 10 dos italianos, e 14 dos espanhóis. Esta tem sido uma competição propícia a que pequenos clubes apareçam na senda internacional, casos dos espanhóis do Tenerife, do Tordera, do Vilanova, ou dos italianos do Amatori Vercelli, e do Seregno, que tiveram a oportunidade de inscrever o seu nome na lista de vencedores. Portugal também venceu a prova por intermédio de clubes de menor dimensão, tendo um desses clubes inaugurado a lista de campeões na época de 1980/81. Referi-mo-nos ao modesto Sesimbra - hoje quase desaparecido o mapa do hóquei lusitano - que em Junho de 81 bateu na primeira final da Taça CERS os excêntricos holandeses do Lichstadt por um total de 6-1. Até levantar o troféu o Sesimbra deixou pelo caminho os franceses do Gujan (8-4/14-2), os espanhóis do Noia (3-6/6-1), e os italianos do Amatori Lodi (3-6/10-1).

Em 1984 o Sporting fez história no hóquei em patins
internacional, ao tornar-se na primeira equipa europeia
a vencer as três competições da CERS
Na temporada de 1983/84 o Sporting entrou para a história, pois tornou-se na primeira equipa europeia a conquistar os três troféus continentais - Taça dos Campeões Europeus, Taça das Taças, e Taça CERS. Treinados pelo mago dos patins e do stick António Livramento os leões bateram na final o Novara, de Itália, com quem travaram um duelo intenso e com algumas cenas de pugilato, sobretudo no primeiro encontro, realizado em terras transalpinas, onde a violência dos italianos assumiu contornos extremos. Intimidados, ou não, pela agressividade do seu oponente o que é certo é que o Sporting perdeu por 4-1. Na segunda mão um super Sporting entrou no rinque de Alvalade, e com uma exibição espetacular humilhou por completo o Novara, que saiu de Lisboa vergado a uma pesada derrota por 11-3. José Rosado, Ramalhete, Pedro Trindade, Luís Nunes, Campelo, Sérgio Nunes, e um jovem promissor chamado Carlos Realista entraram assim não só para a história do hóquei sportinguista mas também do hóquei internacional.
Histórica equipa do Benfica que em 1991
ofereceu ao clube o seu primeiro troféu internacional
Desde a histórica vitória leonina foram precisos mais quatro anos para que de novo a bandeira portuguesa fosse içada no mastro mais alto da competição, e de novo por intermédio de um pequeno clube, neste caso o Sporting de Tomar, que na final de 1988 derrotou com surpresa os italianos do Amatori Vercelli - que em 83 haviam vencido esta competição - por um total de 14-8 (com duas vitórias na final, em casa por 6-5, e fora por 8-3). E eis que em 1991 finalmente o Benfica vence uma prova europeia de hóquei patins. Com cinco finais continentais perdidas no currículo - três na TCE, e duas na TdT - os encarnados mataram o borrego em 91 na sequência de uma vitória na final sobre os espanhóis do Réus, por um total de 14-9. Este triunfo marcou o início de uma década de ouro para o hóquei benfiquista, sendo que entre 1993 e 1995 a equipa não perdeu um único jogo, estabelecendo assim um recorde que perdura até hoje no seio da modalidade a nível nacional. Com uma equipa recheada de craques - hoje lendas da modalidade - onde pontificavam nomes como Vítor Fortunato, José Carlos, Luís Ferreira, Rui Lopes, e Paulo Almeida - que era simultaneamente o "cinco" base da seleção nacional - o Benfica, orientado pelo técnico Carlos Dantas, era uma verdadeira máquina de ganhar, sendo que em números a década de 90 pauta-se pela conquista de cinco títulos de campeão nacional, três Taças de Portugal, quatro supertaças portuguesas, e a tal histórica Taça CERS.
FC Porto venceu a Taça CERS em 1994 e...
1996
Os anos 90 foram de pura glória para o hóquei português na Taça CEES. Em 10 edições cinco foram vencidas pelos lusos, sendo que para além do triunfo do Benfica em 1991 ficam para a eternidade as vitórias do FC Porto, do Óquei de Barcelos, e da Oliveirense. Os portistas conquistaram mesmo a prova por duas ocasiões, a primeira em 1994, deixando para trás o Bassano (Itália), Turquel (Portugal), e o Flix (Espanha), antes de derrotar na grande final os também espanhóis do Vic (derrota na primeira mão por 2-5, e triunfo no jogo de volta por 7-1. Em 1996 a taça voltou a viajar para as Antas, na sequência de um duplo triunfo na final diante do Tordera (Espanha) por 3-0/7-1.
Óquei de Barcelos entrou em 1995 para o restrito clube das
equipas que venceram as três competições da CERS
Um ano antes o mesmo Tordera havia perdido o troféu para os minhotos do Óquei de Barcelos, no seguimento de uma derrota - no total das duas mãos - por 10-6. Desta forma, FC Porto e Óquei de Barcelos faziam companhia ao Sporting no restrito clube de equipas que haviam vencido as três competições da CERH. Em 1997 outra pequena - grande - equipa lusa levou para as suas vitrinas a Taça CERS, neste caso a Oliveirense, que numa final 100 por cento portuguesa derrotou o Gulpilhares por um total de 8-5 no conjunto das duas mãos.
Equipa do Benfica que conquistou a segunda Taça CERS do clube, em 2011
Já no novo milénio assistiu-se à histórica conquista por parte de... um histórico do hóquei português, o Paço de Arcos. Por oito vezes campeão nacional nas décadas de 40 e 50, o clube da Linha só meio século mais tarde alcançaria a tão perseguida glória continental.  Na temporada de 1999/2000 o Paço de Arcos brilhou na Europa do hóquei, começando por afastar na 1ª ronda a Oliveirense nas grandes penalidades - empates nos primeiro (4-4) e segundo (2-2) jogos - seguindo-se um triunfo por 10-8 - no total das duas mãos - sobre os italianos do Bassano nos quartos-de-final. Antes de alcançar a final os sulistas bateram os espanhóis do Flix por um total de 13-7, e no encontro mais desejado a vítima do Paço de Arcos foi o experiente Voltregá, que socumbiu aos pés dos lusos com duas derrotas (8-2/3-2).
Desde 2008 que a final da CERS é realizada numa só mão na cidade de um dos quatro semi-finalistas da prova, que entre si disputam uma final four - à semelhança do que acontece com a Liga Europeia - sendo que em 2011 o Benfica voltou a conquistar o troféu, depois de ter batido na final os espanhóis do Vilanova por 6-4.
Sporting voltou aos triunfos europeus 24 anos após a sua última festa
*SPORTING 2014/15: Após 24 anos de jejum europeu - o mesmo será dizer de conquistas europeias - eis que os leões voltaram a rugir bem alto na Europa do hóquei em patins. Facto ocorrido na Taça CERS, a segunda prova continental ao nível de clubes, competição em que o Sporting começou por afastar os espanhóis do Calafell, sendo que na primeira mão, realizada no país vizinho, os lisboetas venceram por 3-2, abrindo assim caminho para um novo triunfo duas semanas mais tarde, quando em Portugal os leões venceram por 3-1. Seguiu-se, nos oitavos-de-final, o Basileia, da Suíça, combinado que em casa não teve argumentos para evitar uma vitória curta mas merecida do Sporting, por 4-3. Em Lisboa, os verde-e-brancos confirmaram o seu poderio ao bater os suíços por 5-3, carimbando assim o passaporte para a ronda seguinte. Fase esta onde a fasquia da dificuldade ficou mais elevada, já que o oponente dos pupilos do técnico Nuno Lopes eram os também lusos da Oliveirense, uma equipa experiente em competições europeias, e apontada como um dos principais candidatos à vitória final na prova. Em casa, diante do seu público, o Sporting entrou mal na eliminatória, perdendo por 2-3, e para muitos dos experts em matéria de hóquei em patins a teoria confirmava-se na prática: o leão não tinha unhas para agarrar os hoquistas de Oliveira de Azeméis. Puro engano. Na segunda mão os leões fizeram jus ao nome, e com uma exibição categórica alcançaram um merecido triunfo por 4-1 que assim lhes abria as portas da final four. Fase decisiva esta que teve lugar em Espanha, na Catalunha, em Igualada para sermos mais precisos, que além da equipa da casa e do Sporting contava ainda com o Óquei de Barcelos e o Réus. A caminhada dos sportinguistas até aqui tinha sido heróica, sobretudo ante a Oliveirense, e para que a aventura continuasse a correr de vento em popa eis que na meia-final os portugueses escrevem mais uma página dourada nesta trajetória, ao eliminar após prolongamento a equipa da casa, o Igualada, por 3-2, o que garantia a final, a tão sonhada final. E o último obstáculo rumo ao sonho chamou-se Réus, poderosa e histórica equipa do hóquei espanhol, que tinha em Marc Coy a sua grande referência. 26 de abril, pavilhão cheio para assistir a um jogo épico, de parte a parte, equilibrado e espetacular do princípio ao fim. Logo nos primeiros minutos Tiago Losna abriu o marcador para os portugueses, um golo solitário que dava vantagem ao Sporting no descanso. E eis que a meio do segundo tempo apareceu o génio de Coy, que em duas ocasiões bateu o guardião Ângelo Girão e colocou o Reús na frente. O Sporting não baixou os braços e até final tomou de assalto a baliza de Roger Molina, e a cerca de quatro minutos do fim João Pinto fez justiça ao marcador ao apontar o 2-2. No prolongamento nada se alterou e a partida teve de ir para o desempate de grandes penalidades. Aqui, Girão foi o verdadeiro herói, ao defender três grandes penalidades, enquanto que Daniel Oliveira e Nico Fernández converteram em golo as suas sticadas e ofereceram assim o título ao Sporting. No final a festa foi leonina, com o presidente do clube, Bruno de Carvalho, a juntar-se aos festejos. Para a eternidade ficam os nomes de: Ângelo Girão, Daniel Oliveira, Nico Fernández, Ricardo Figueira, André Moreira, Tiago Losna, João Pinto, Zé Diogo Macedo, André Pimenta, Carlos Martins, e Nuno Lopes (treinador). *Nota: Texto atualizado em 26 de abril de 2015
A alegria dos jogadores do Óquei de Barcelos
após vencerem o quarto título europeu da sua história
*ÓQUEI DE BARCELOS 2015/16: Clube com uma gloriosa tradição no hóquei patinado nacional e internacional, o Óquei de Barcelos voltou em 2016 a elevar o seu nome na alta roda do hóquei em patins europeu na sequência da conquista da Taça CERS. Mais de duas décadas após ter conquistado pela primeira vez na sua história o segundo troféu mais importante do Velho Continente, os barcelenses ergueram o caneco diante dos seus fervorosos adeptos na sequência de um triunfo por 6-3 ante os espanhóis do Vilafranca no encontro decisivo de uma final four que teve lugar em Barcelos.
A caminhada até à glória teve um início relativamente fácil, já que na pré-eliminatória o Óquei atropelou os frágeis austríacos do Villach com um resultado global (nas duas mãos) de 32-2 (16-2 e 16-1). A ronda seguinte trouxe algumas dificuldades inesperadas a um conjunto que nesta temporada se havia reforçado com a lenda do hóquei luso Reinaldo Ventura, oriundo do FC Porto. Pela frente, os pupilos de Paulo Freitas tiveram os teoricamente acessíveis franceses do Coutras, que na primeira mão dos oitavos-de-final da competição impuseram um surpreendente empate a sete golos em... solo português! Porém, na segunda mão o favorito Barcelos confirmou o seu estatuto de gigante do hóquei internacional adquirido nos anos 90 do século passado, e arrumou a questão com um concludente 12-3. O sonho de voltar à ribalta internacional ganhava agora contornos mais definidos para o gigante adormecido Barcelos, mas o adversário dos quartos-de-final impunha respeito, já que era (e é) um dos conjuntos mais poderosos do hóquei italiano: o Amatori Lodi. A primeira mão foi realizada no Pavilhão de Barcelos que, como manda a tradição, encheu para presenciar uma exibição de gala do seu amado Óquei. Ao intervalo os portugueses já venciam por 4-1,graças a sticadas certeiras da estrela Reinaldo Ventura, Hugo Costa (2) e Zé Pedro. Na segunda parte o carrossel mágico dos minhotos continuou a encantar, tendo Reinaldo Ventura, em duas ocasiões, Luís Querido e Pedro Mendes feito balançar por mais quatro ocasiões as redes da baliza de Porchera e sentenciar a partida em 8-4 a favor dos portugueses. Meio caminho rumo à final four estava feito, faltava superar o inferno de Lodi. E ali o Óquei começou com alguma tremideira fruto do domínio natural dos italianos, que aos cinco minutos da segunda parte venciam por 3-0, colocando assim em risco o apuramento dos lusos. Porém, e como que acordando de um sono profundo, os barcelenses empataram de rompante a partida a três golos aos 16 minutos. O jogo estava de loucos, já que o Lodi não baixou os braços e voltou a colocar-se em vantagem por 4-3. No entanto, o Barcelos respondeu, e no espaço de um minuto Pedro Mendes fez dois golos que silenciaram o pavilhão. O Lodi ainda teve forças para se recolocar na posição de vencedor, mas já muito tarde para virar a eliminatória, sendo que ainda houve tempo para Joca Guimarães fazer o 6-6 final e carimbar o passaporte do Óquei para uma final four que seria disputada precisamente em Barcelos. Disputada nos dias 30 de abril e 1 de maio a fase final da competição contou ainda com os italianos do Matera, dos catalães do Vilafranca e dos campeões da Taça CERS em título, o Sporting. E na meia final diante de um pavilhão lotado o Barcelos teve de suar bastante para afastar o Matera. Ao intervalo os lusos venciam por 2-0 com golos de Reinaldo "Rei" Ventura, mas no segundo tempo o Matera reagiu e bem, chegando à igualdade aos 12 minutos. Reinaldo Ventura estava com o stick em brasa, e aos 15 minutos recolocou o Óquei na frente do marcador, mas já perto do final Antezza fez o 3-3 final. Houve então necessidade de prolongamento, que nada decidiu. Chegaram os sempre terríveis penaltis, onde o Barcelos levaria a melhor por 2-1, apurando-se assim para mais uma final europeia. O adversário seria o Vilafranca que também havia afastado o Sporting por via das grandes penalidades na outra meia final. O inferno de Barcelos assistiu a um grande e memorável encontro de hóquei patins, que não só entra na história pelo resultado final mas sobretudo pela emoção e pelo excelente jogo praticado por ambos os conjuntos. Ao intervalo o Óquei já vencia por 5-2, sendo que na segundo tempo limitou-se a controlar o jogo que iria terminar com a vitória lusa por 6-3. Barcelos explodia de alegria, o seu Óquei voltava a reinar no Velho Continente 21 depois da última conquista. Para a história ficariam os nomes de Ricardo Silva, João Pereira, Hugo Costa, Joca Guimarães, Zé Pedro, Luís Querido, Miguel Vieira, Pedro Mendes, Pedro Silva e o lendário Reinaldo "Rei" Ventura, um dos melhores hoquistas de sempre da história da modalidade.  *Nota: Texto atualizado em 2 de maio de 2016